quinta-feira, 22 de março de 2012

A invenção de Hugo Cabret

Ficha Técnica
Estado: Nos Cinemas
Título Original: Hugo
Gênero:
Aventura, Família, Fantasia, Mistério
Direção:
Martin Scorsese
Roteiro:
Brian Selznick, John Logan
Produtores:
Graham King, Johnny Depp, Martin Scorsese, Tim Headington
Elenco:
Jude Law (Hugo's father)Edmund Kingsley (Technician)Emily Mortimer (Lisette)Ben Kingsley (Georges Méliès)Chloe Moretz (Isabelle)Richard Griffiths (Monsieur Frick)Sacha Baron Cohen (Station inspector)Christopher Lee (Monsieur Labisse)Angus Barnett (Theatre Manager)Ray Winstone (Uncle Claude)Helen McCrory (Mama Jeanne)Michael Stuhlbarg (Rene Tabard)Frances de la Tour (Emilie)Asa Butterfield (Hugo Cabret)Catherine Balavage (Parisian Cafe Women)Martin Scorsese (Fotografo)
País de Origem: Estados Unidos da América
Estréia no Brasil: 17 de Fevereiro de 2012
Estréia Mundial: 23 de Novembro de 2011
Duração: 126 minutos
Classificação: L - Livre para todos os públicos
Produção: John Logan
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Trilha sonora: Howard Shore
Figurino: Sandy Powell
Fotografia: Robert Richardson
Montagem: Thelma Schoonmaker
Direção de Arte: Thelma Schoonmaker



História (roteiro)

Baseado no romance do escritor Brian Selznick, A invenção de Hugo se passa na década de 30 . Hugo possuía um pai que trabalhava como relojoeiro, após um acidente morre e Hugo se torna um órfão tendo assim que ir morar com seu tio, que vivia em constate efeito do álcool, em uma estação de trem em Paris.

Seu tio era responsável pelos relógios da estação estarem funcionando. Ensinou isso tudo a Hugo que tomou posse do serviço de acertar os ponteiros após seu tio ter sumido em uma de suas bebedeiras. A partir daí, o menino de apenas 12 anos, passa a viver clandestinamente por entre as paredes da estação.

Hugo e seu falecido pai tinham um boneco “mágico” que tentavam concertar juntos. Na tentativa de trazer seu pai vivo novamente, Hugo faz de tudo para que aquele boneco volte a funcionar, sendo assim, roubava peças de uma loja de brinquedos cujo dono era Georges, um velho rabugento. Numa tentativa de roubo, Georges o pega e toma seu caderno – que junto do boneco mágico, era a única herança que possuía de seu pai. O menino se torna amigo da garota viciada em leitura, que por ventura, era afilhada de Georges. A garota, Isabelle, vivia em um monótono conto de fadas, querendo trazer um pouco de aventura para sua vida, se junta com Hugo para descobrir os segredos do caderno misterioso que abalou seu tio. Como todo filme há sempre um mistério, Scorsese não deixou escapar, o boneco mágico que Hugo tentava concertar, possuía um buraco em formato de uma chave de coração sendo a peça principal para que o boneco volte a escrever e por total coincidência, Isabelle tinha a mesma chave em um colar pendurado no pescoço.

Em tantas aventuras e fugas constates de Hugo com o insistente inspetor da Estação, Gustav, essa duplinha irá descobrir um mundo dentro dos labirintos de engrenagens dos relógios, o qual Scorsese soube explorar muito bem em 3D. Na resolução do mistério, onde o pequeno garoto entenderá a ligação do enigma deixado por seu pai aos filmes de Georges Méliès, o agora, tristonho e abandonado dono da loja de brinquedos da estação, que em primeira estância, fora o grande cineasta, podemos então notar aí a genial direção de Scorsese que imprime um tom didático ao filme – trazendo no olhar de Hugo, uma proximidade com sua vida pessoal, contando através deles suas aventuras de infância quando começou a descobrir o cinema na complicada cidade de Nova York. Sedução essa, que nos deixa tão próximos de sua história pessoal que, na medida em que a didática metalingüística de Scorsese revela o início do cinema ilusionista de Georges Méliès nos coloca no papel de personagem levando-nos juntos na aventura espetacular em torno do invento dos primórdios do cinema.

Produção:

Difícil falar de um filme que ganhou 5 estatuetas no Oscar 2012. Foi avaliado pelos melhores dos melhores e ficou, no geral, em 2° lugar (perdendo somente para O Artista). Ganhando assim: Melhores efeitos visuais/efeitos especiais; Melhor fotografia; Melhor Direção de Arte, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de som.

Ao receber o prêmio de melhor fotografia, Robert Richardson, diretor de fotografiado filme, falou sobre a conquista. "Obrigado à academia, agradeço ao diretor Martin Scorsese, que é um gênio"(...) "É um grande gênio, a direção de arte de Hugo tem grandes artesãos que vieram da Itália e que fazem lindas decorações".

A produção não se baseia em somente imagens perfeitas, e sim, em uma dedicação de Scorsese à história da sétima arte, que podemos notar no personagem principal, que vê uma figura inocente vivendo um espectador que descobre milhares de ilusões e truques mágicos que acontecem em um estúdio cinematográfico quando as luzes se apagam. O filme nos traz uma nostalgia maravilhosa, é um convite cativante que os personagens fazem para seguir seus sonhos. Podemos notar isso no pequeno trecho que o garoto recita em um momento no filme: "Gosto de imaginar que o mundo é uma grande máquina... Elas têm o número e tipo exato das partes que precisam. Então imagino que se o mundo é uma grande máquina, eu também estou nele por algum motivo. E isso significa que você também está aqui por alguma razão"

Análise Crítica:

Podemos começar falando por algo que todos os bons filmes nos deixam: as lições de vida. Em Hugo Cabret não foi diferente, ele nos ensina dizendo que o mundo é uma maquina e todos nós somos uma peça fundamental para o funcionamento do mesmo. Mostra que até na inocência de uma pequena criança, se tem um motivo pra existir e, que não importava o que ele faria, mas seria bom fazê-lo, pois ninguém mais o faria, que no caso seria o concerto do boneco. Esse não seria o tema geral que o filme busca nos passar, o boneco é somente a ponta da corda que podemos caminhar e chegar onde Scorsese queria que chegássemos.

O diretor, com 69 anos de idade, inevitavelmente está se aproximando da etapa final de sua carreira, se compadece do homem e se irmana com o cineasta: Griffith, Orson Welles e outros gênios no cinema que se aposentaram por não conseguirem mais gravar (Méliès é, porém, um dos casos mais tristes: morreu na penúria, em 1938, aos 76 anos, tendo vendido a maior parte de seus negativos como sucata).

Como notamos no filme a busca pela infância de Scorsese, quando ele retrata o filme Viagem à Lua de 1902,e outras grandes criações de Méliès, querendo assim, mostrar que sempre que haja entre as novas gerações o interesse pelo novo, pelo moderno, não se esquecerem do passado. Pois foi tudo gerado lá. Apesar de poucos recursos, a criação é de perfeita e encantadora avaliação hoje em dia.

As duas pequenas crianças retratadas no filme representariam a possibilidade de redescoberta. Scorsese possui um desejo tão grande de falar às crianças em geral, sobre os primórdios do cinema e seu esquecimento que, o filme dá uma pausa para que se faça uma exposição didática.

Enganamo-nos quando achamos que o filme é simplesmente sobre a infância. Não somente sobre a infância em si, mas como podemos dentro de nos manter a infância que nos transformou em amantes das artes. Sim, todos precisamos da arte para nos guiar. Agora que somos adultos saudosos de nossos bons tempos de infância. A Invenção de Hugo Cabret nos proporciona esse encantador e fascinante reencontro.

Outra forma metalinguística que podemos ver é a razão atemporal do filme. Scorsese conseguiu a atenção de grandes telas para a projetação do primeiro filme, o ponto inicial da existência que foi esquecido. Sem notarmos estamos diante de uma modernidade sem tamanho (3D) de algo que não precisou disso tudo pra ser tão perfeito quanto foi. As imagens fantásticas com que Meliès inaugurou uma era – a dos séculos do cinema.

Martin Scorcese é também um fascinado e amante pela preservação de filmes clássicos – o produtor criou a “The Film Foundation”, uma entidade responsável pela restauração de cerca de 500 filmes de diversos cineastas como Hitchcock, Capra, Kazan e Gláuber Rocha.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Os lugares são os mesmo, as pessoas são as mesmas. Tudo é exatamente como era antes. Então por que não é mais tão legal e tão emocionante? Simples, porque você já não é mais o mesmo. E por esse pequeno (mas significante) detalhe, tudo vai ser diferente. E então você percebe que está na hora de procurar lugares, pessoas e situações totalmente opostas para você voltar a ser você mesmo, não idêntico mas numa versão melhorada

segunda-feira, 19 de março de 2012