segunda-feira, 28 de março de 2011

in-certo.

Nunca tive certeza de um número, até escolhê-lo aleatoriamente e senti-lo penetrando em meu ser e girando por horas e horas, até sentir um ponteiro lentamente girando dentro do meu estômago. Seu barulho calmamente em minha cabeça: tick tack... e esse tempo cada vez mais suave: t-ick, t-a-ck, t-i-c-k, t--------a-------c-----------------.... até o som sumir perfeitamente, até começar a me indagar novamente se aquele barulho existiu, até suas ondas se propagarem tão distantes que seria impossível de alcançá-las.

Esse número se dissolve em uma sopa, se mistura no líquido e se vai. Nunca tive certeza. O número que cega minha visão, que apaga a cor dos olhos, que se mistura na cor do mundo.

Esse número pode ser 26, 27, 28, pode significar segunda, terça ou quarta-feira. Pode ser a incerteza duma terça-feira dia 29. Pode ser o medo do amanhã e a insignificância do medo.

Pode ser o número do futuro, ou o dia em que se acaba o mundo, ou o dia em que o mundo se acaba pra mim.

Mas ele me perturba segundos e segundos do meu ser, quilômetros e quilômetros da minha alma e a imensidão dos meus pensamentos.

Eu nunca tive certeza da liberdade, até sair de casa. Eu nunca tive certeza da vida, até passar a viver. Eu nunca tive certeza dos sentimentos, até começar a vê-los como um número que se esconde em alguma estrada do infinito.


Eu não sei sobre o número, nunca se sabe sobre os números, eles são pensamentos calados que saem num sopro de alívio. Mas eu sei que só se pode continuar quando se perde a noção deles.


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