San Francisco - Califórnia.
Perto do Hotel Sir Francês, onde ele morava. Todo dia tomava seu Bonde até a beira mar, trabalhava em um barco de turismo. Quarta-feira era sua folga, como de comum, ia à praça central, onde alimentava os pombos com pedaços do seu coração.
Sentou-se em seu banco de costume, ao seu lado uma moça. Ela tremia, parecia falar com o ar. Olhar disperso, cabeça baixa. Ele acende seu cigarro. Incomodado com o ar não responder a moça, lhe oferece um cigarro.
Antes do cigarro - Ele observou cada milímetro do seu corpo. Olhou em seu lado, livros de literatura, uma câmera digital, alguns postais - Ela era turista - Seu cabelo, loiro dourado, seus olhos se misturavam com céu daquele dia, pouco mais que um metro e sessenta e sete, usava um jeans, uma blusa branca, um casaco preto e uma boina. No pé uma sapatilha - preta com vermelha. Ela falava com o ar, e respondia em folhas, folhas de um caderno velho.
Antes do cigarro - Curioso, aflito, mal vestido, sem mais detalhes. Num primeiro instante não era amor, num segundo instante era paixão a 2° vista. Apaixonou pelos detalhes internos. A meiguice ao segurar sua caneta. A calma ao escrever cada letra. A postura sobre o banco. Não era por questão de tempo, mas ele gostou dela, não por ter tido tempo de gostar dela, mas pelo fato de poder gostar de alguém. Pouco se importava quem ela era de onde ela veio, o que ela fazia. O importava o ali, o agora. Não o agora ali na praça. Mas o agora ela sentada ali, o agora ele na casa dele pensando nela, o agora das pombas ao redor, o agora do som das pessoas passando rápidas e despercebidas ao seu olhar, o agora da aflição.
Depois do cigarro - Era o beijo mais inesperado que tive mais doce e mais suave. Nunca fui um cara de sorte, mas por um acaso do destino, me rotulei um agora. Segurei suas mãos frias e tremulas. Faltavam-me palavras para dizer. Ela se afasta rapidamente, olha para seu relógio e me entrega seu caderno e depois sai.
Nele, me choquei com o título - O Rapaz do banco -
“Ele não sabe das reações que me proporcionaram não se pode explicar algo sem fundamento, não sei o que aconteceu, chego a pensar que estou apaixonada por um desconhecido, estranho amar alguém que nem sei direito. Ele esta hiperventilando meus pulmões, dilatando minhas pupilas, me fazendo suar frio, tremer. Sou capaz de morrer ao ouvir uma palavra dele. Tenho medo de me referir a ele. Por isso, ar, faça que esse meu suspiro, seja um beijo de uma rosa que toque suavemente a face dele..."
Na hora do cigarro -
- Você aceita um cigarro?
- Não, obrigada, estou tentando parar de fumar.
- Achei que quisesse algo nas mãos agora, elas tremem.
- É queria mesmo, mas não cigarro.
- Mas você tem alguma coisa em suas mãos agora!
- EU?
- EU!
( Inspirado em Caio F. Abreu )
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