A: É medo, entende?
B: Como medo? Medo de quê? Tu não tens nada do que temer.
A: É um medo, um medo de mim mesma.
B: Como pode ter medo de ti mesma, a pessoa da qual tu conheces bem.
A: Aí é que você se engana...
B: Você convive com ela há quase 20 anos e não sabe nada?
A: Eu sou meu próprio buraco, meu próprio abismo, do qual eu só me afundo mais.
B: Mas eu sei que dentro desse buraco tem uma luz que brilha muito forte, a deixe sair.
A: Onde que eu nunca vi? Depois de tudo sempre me sobra o escuro.
B: Talvez tu estais procurando nos lugares errados.
A: É... talvez.
B: Vais brincar de viver, guria!
A: Já brinquei e criei minhas 7 vidas.
B: Não é disso que tô falando...
A: É de quê então?
B: De brincar de viver na realidade.
A: E construir meu castelo também é? Oras...
B: Tu achas que é desleixo não se preocupar, reclama até da liberdade.
A: Ah, chega dessa conversa, tô cansada disso também, desses assuntos circulares, dos mesmos medos, das soluções inalcansáveis.
B: Pare um pouco com isso.
A: Paro sim, aliás, estamos parados aqui há muito tempo.
B: (silêncio)
A: Você não sabe do que preciso.
B: Tu sabes do que eu preciso?
A: Pergunte a ti mesmo.
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