Aprendi que a dor solitária é o único individualismo que não desperta maledicências.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
tava com vontade de pintar o meu cabelo de azul e viajar no carnaval.
ao invés disso, pintei de vermelho e fiquei na pequena cidade.
foi bom.
ficou bom.
Ás vezes me dá uma vontade de pintar meu cabelo de azul e apagar tudo da minha memória.
Queria ser Clementine do filme: brilho eterno de uma mente sem lembranças.
Quão bom seria conhecer tudo denovo, quão bom é o novo.
Tem sensações que são boas quando são primatas, depois perdem seu sabor.
A vida as vezes é amarga, mas se o amargo não existisse, não teríamos o doce.
Gosto dessa cidade da mesma intensidade que gosto de viajar.
Mas agora é hora de ir, sentir o doce, o azul. É hora de sentir.
ela tinha a chave da pequena casa e entrou.
todo mundo estava lá, mas todo mundo estava ausente dentro daquelas paredes.
eram muitos e poucos, tão difíceis que ela já não sabia mais.
eles gritavam numa força maior que vários suplícios de socorro em um silêncio.
uma lagarta em um outro universo. uma estranha em seu próprio mundo.
na parede a mensagem:
"eu contei os dias difíceis, depois pensei que não era necessário."
quanto mais ela caminhava por aqueles cômodos, seu estômago embrulhava e se enojava.
aquele mundo lhe dava desgosto e um asco gigante.
quando menos percebeu, era dentro de si que ela estava por dialogar.
essa multidão de gente que não calava e também não falava nada, era apenas pensamentos de menina.
mas daquele momento em diante ela percebeu, que para continuar ela teria que largar muitas bagagens,tinha que
se tornar borboleta.
naquele momento ela descobriu que as borboletas constroem grandes histórias.