terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

butterflies kill






ela tinha a chave da pequena casa e entrou.
todo mundo estava lá, mas todo mundo estava ausente dentro daquelas paredes.
eram muitos e poucos, tão difíceis que ela já não sabia mais.
eles gritavam numa força maior que vários suplícios de socorro em um silêncio.
uma lagarta em um outro universo. uma estranha em seu próprio mundo.
na parede a mensagem:
"eu contei os dias difíceis, depois pensei que não era necessário."


quanto mais ela caminhava por aqueles cômodos, seu estômago embrulhava e se enojava.
aquele mundo lhe dava desgosto e um asco gigante.
quando menos percebeu, era dentro de si que ela estava por dialogar.
essa multidão de gente que não calava e também não falava nada, era apenas pensamentos de menina.
mas daquele momento em diante ela percebeu, que para continuar ela teria que largar muitas bagagens,tinha que se tornar borboleta.
naquele momento ela descobriu que as borboletas constroem grandes histórias.



"as borboletas constroem grandes histórias."



ela saiu.



ela voou.



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