ela despe os lençóis, encosta-se à janela
prova a paixão nos lábios, serve-te o medo gelado
ela mente com força - te ignora
e chora toda a tristeza que ensaiou durante tarde
e quando sais, com o peso da sua solidão
ela alimenta os pássaros com os restos do teu coração.
Quando chove ela é de outro mundo,
o de mármore e árvores brancas, ténues.
Sente raízes crescerem nos teus pés e o cheiro da terra transbordando-a.
Veste-se de neblina e respira o horizonte.
As aves gritam, as águas sobem, os peixes fogem...
Mas nada podem-na tirar este momento.
Sente os séculos que a criaram subirem-na pelas veias.
O seu sangue é boreal.
Alma fria em coração quente.
Passem logo, dias.
Venha logo o dia.
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