Porque era sempre assim, eu fazia meu caminho de sempre, então mostrava-se aquela pequena estranha, com aquela cara entediada e incoerente. Hora ou outra abria um sorriso peculiar, daquelas pessoas que riem sozinhas no meio da rua, ascendia um cigarro, alimentava o círculo vicioso, fumava até o filtro, sem pressa alguma. Sempre, surreal e dissonante. Tomava uma dose até encontrar seu rosto no fundo do copo, até ler sua raiva e a idiossicrancias de uma pessoa sobria.
O mundo era tedioso, as pessoas eram tediosas, e quanto mais certeza ela tinha certeza disso, se aprofundava nos seus vícios.
Ela sempre andava devagar, talvez com uma nova melodia ecoando na cabeça, destraída, desventurada, desiludida. E chamava atenção, aquelas coisas de estética. Dos padrões inventados para os idiotas seguirem, ela fugia de todos. O andar desengonçado, a expressão alienada. Parecia estar sempre em outro mundo, lunática, juro que não sei como não tropeçava. Exibia certa frieza, sempre buscando o além, envolta em seus conflitos internos. Faz tudo sempre igual, e nem acorda de manhã cedo, nunca sabe que horas são, e chega sempre atrasada, se é que vai a algum lugar. Está andando sempre sem direção, traçando suas próprias rotas, e sempre convivendo com derrotas. Será preconceito pessoal? É com pena que eu digo, sentia medo dela, um certo asco.
Provavelmente ninguém entenderia o porque dela insistir em escrever tudo torto, em linhas certas. O vento que trazia as idéias, assim, tão vagas.
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