Estranho como todos os outros dias. Estranho como o dia em que passa. Vem calmo e manso, com jeito caminha pela linha árdua, perigosa e única. Vem como o doce e suave de um tecido de veludo sonoro. O olhar repentino e escondido. Lúcido e indeciso. A preferência pelo perigo. As horas eternas que não querem mover, o doce ilusório do pa-ra-do. Idéias confusas e iguais, dificuldade de caminhamento. Sentidos que não se negam, que tem medo de uma decisão, uma posição diante a autoridade da liberdade, que te prende e te ilude. Manda-te pra fora e você descobre quem ela é. O medo da solidão.
- Porque vais embora?
- Eu preciso da liberdade, que tu tanto queres.
- Mas e a solidão, que tu me deixas?
- É o pedaço de você que carrego! Deixo-te um vazio e te preencho em meu peito!
- Como lido com esse vazio?
- Guardes em teu peito, e se preenchas comigo amanhã, outro dia...
- Mas e o agora? (Em suspiro a abraça)
- Tu dissestes a palavra certa.
- Ficas comigo?
- Não. Um c.
- Um "C"?
- Sim, o mais forte, mais apertado e mais vazio, o que me rodeia e imobiliza.
- Tu ficas?
- Teu "C" me aconchegas, nem deixo aqui, nem vou pra qualquer lugar. Tua indecisão, -Se se, ou se não, são falácias que me pedes um pouco mais de sedução.
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